segunda-feira, 27 de junho de 2011
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Senta, levanta em Madre de Deus
A Câmara de Madre de Deus está vivendo, há alguns (muitos) meses, uma famigerada briga pelo poder. Uma briga onde ninguém sabe quem é o certo, ou o errado, mas que com certeza, a matemática deixou de ser exata para dar margem à interpretação livre do homem. Pois é. Aqui em Madre de Deus, na Câmara, 5 é menor que 4, uma afronta as leis exatas que movem o mundo, não é mesmo?!
O senta e levanta já durou mais do que o necessário e prejudicou muita gente. Funcionários entram e saem a todo momento, são demitidos, depois readmitidos. Uma falta de respeito sem tamanho com o povo de Madre.
Eu, particularmente, aprecio bastante a política, mas odeio a politicagem. A política feita em Madre de Deus é assim, suja, ruim de se ver...sofrível, e muito, muito corrupta.
Na minha opinião alguns vereadores e administradores se salvam, pois pelo menos tentam fazer alguma coisa, pensam em projetos interessantes e se preocupam com a comunidade, a exemplo do vereador Jibson Coutinho, Anselmo Duarte, Tânia Pitangueira, Jeferson Andrade, e mais alguns poucos que estão rodando pela cidade sem espaço e sem voz.
Mesmo assim parece que ninguém pode fazer nada para resolver a situação. A briga na justiça já alcançou inúmeras sentenaçs e sempre uma nova surpresa chega.
O fato é que enquanto os vereadores passam dias e meses gastando o tempo para brigar por uma cadeira na câmara, a cidade continua parada, estagnada, urgente de movimento, de projetos e atividades, urgente de ações.
Tá bom, eu sei, é a cadeira mais alta, a que representa mais dinheiro, mais poder, mais empregos, mais regalias... fazer o quê? Vamos esperar... Mas de boca fechada? Não mesmo.
Tá ficando tudo preto....
Podem comentar!
quinta-feira, 5 de maio de 2011
FOTOGRAFIA: UMA PAIXÃO
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Distraído

Anda veloz
Quase não toca o chão
Olha o universo
Periférico
Panorâmico
Inverte os ladrilhos
Espelha sua face
Ele observa
É inteiro, é direito
É reserva
Só reserva
sem saber
Intenso de carinho
Sem promessas
Ele vacila
Mãos sozinhas
abraços incertos
me ama
se apega
mas não se entrega
olha o mundo
abre as janelas
vê, não escuta
silêncio invade o tempo
que consome nós dois
um tanto, um exagero
hoje, amanhã
dias inteiros
sem medidas de amor
sem jeito
ele me ama, eu vejo
é inteiro, é direito
constitucional
mas anda tão distraído
correndo, ligeiro
Distraído
sem tempo para me amar.
sábado, 4 de dezembro de 2010
Uma noite com você
Nem mesmo quando durmo a noite
lembro de esquecer você
Tiro as roupas, prendo os cabelos
Deixo sandálias e pensamentos
Vejo as horas, rezo
Fecho as portas de mim
Me tranco, me escondo
Eu sumo
Mas você continua pulsando
Sua voz, seu sorriso
Corpo entrelaçado ao meu
Carícias e gozo
Seu jeito de me fazer feliz
Tudo continua no lugar
Em mim, sem controle
Com passos sutis
Para dentro
Ouço você caminhar
Vem Amor
Vem logo me cortejar
Passar seus lábios em meu corpo
Deslizar sobre o meu sexo
Os dedos entre minhas pernas
Fazendo-me subir às alturas
São altas horas
O tempo tece nossa história
Intenso do Amor que nos cerca
Vou tropeçando nos teus encantos
Esta noite
Fecho os olhos, eu me rendo
Descubro que não posso mais
esquecer você
e choro
Choro porque agora é certo
Eu te amo.
Dia e Noite
Verso e Reverso
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Poeminha de nada
Não há mais casa pra arrumar
Nem roupas sujas para lavar
Todos se foram
E eu fiquei sozinha
E só agora percebi
Parei de lutar com a razão
Já não há mais tempo para brincar
Cansei de sonhar sozinha
Pronto
Podem voltar aos seus umbigos
segunda-feira, 19 de julho de 2010
ONDE REINA A DESIGUALDADE
Sou do interior da Bahia (Madre de Deus), de uma cidade regada a festas e carnaval. Este ano posei de foliã de primeira viagem no carnaval de Salvador, assunto esse que acabou rendendo muitas observações.
Confesso que o Carnaval de Salvador conseguiu me deixar impactada e me modificar de alguma forma. A exuberância e glamour de artistas baianos como Ivete Sangalo e Durval Lelys, a euforia e o calor dos fãs do Chiclete com Banana arrastando-se hipnotizados atrás de um trio elétrico animal (o famoso trio de nome Camaleão), a emoção e o sorriso de turistas brasileiros e estrangeiros ao participar da festa, a agonia, o suor, a energia intensa dos que estavam dentro dos blocos e também dos que posaram de "pipoqueiros", "aceitando" brincar o carnaval fora das cordas, dos caríssimos camarotes, da segurança, enfim, todo este cenário carnavalesco foi passando e aos poucos se impregnando em cada parte de mim.
Estávamos num grupo de seis pessoas. Eu e meu namorado, meu irmão e cunhada e mais duas amigas-irmãs. O trajeto foi, como sempre, bem cansativo. Saímos de Madre de Deus* no buzu* de onze horas, encontramos minha amiga, Poliana, na rodoviária de Salvador ao meio-dia, e antes das duas nós já estávamos na barra, confesso que bem perdidos.
Todo mundo conhece a rua, todo mundo conhece a Barra, mas, de que lado o bloco sai? De que lado vem o trio? Enfim, como "quem tem boca vai a Roma" saímos andando entre milhões de cambistas grosseiros e desesperados em busca de uma referência, o farol.
Toda agonia de cambistas, pessoas, vendedores e foliões lotou as ruas e me causou uma estranha agonia, uma quase saudadezinha da maresia da minha orla. Com mais umas informações conseguidas no tradicional modo “cara-de-pau”, típico de nosso povo baiano, nós conseguimos chegar no ponto certo. A orla.
Primeiro lá vem o Tomate, arrastando tudo. Uma multidão atrás bebendo, dançando, pulando e cantando. Eu já estava empolgada. Depois lá vem o Asa de águia com Durval exibindo a sua guitarra elétrica, fazendo um som lindo e causando um frenesi geral. Estava maravilhada com todo axé* que circulava no ar.
E assim segue a festa. Via circular passou e outras bandinhas passaram. Todo mundo no aguardo. "Lá vem a cavala aê", gritou um carinha meio aos tropeços e todo mundo riu. Era verdade, lá vinha ela. A Deusa, a diva, a Beyoncé brasileira, como se auto-denominou, Ivete Sangalo.
Homenageando a natureza, vestida de Cavalo, descendo até o chão, soltando beijinhos e acenos, fazendo as velhas brincadeiras de sempre com o povo, agradecendo a zilhões de patrocinadores e aliados e sendo comida pelo lobo mau. É, porque a musa do Axé Music cantava sem parar um dos hits de pagode mais quentes deste verão. "Chapeuzinho aonde você vai? Diz aí menina que eu vou atrás. Vou te comer, vou te comer". Ela cantava e dançava e encenava uma chapeuzinho que alternava entre pervertida e inocente, enquanto os foliões iam ao delírio. Todos cantavam e iam ao delírio. E eu também, é claro.
O Domingo de Carnaval foi marcante. Teve Chicletão com Banana, muita festa, muito beijo na boca, aliás, vi, na verdade, muito mais que beijo na boca. Sexo nos corredores, nas ruas, nos becos, enfim, sexo à brasileira, à vontade. Eu vi muita coisa, porém, o Carnaval lindo, perfeito como me disseram eu não vi. Juro, que ainda assim consegui me divertir bastante.
O bloco que saímos, o Alô Inter, foi puxado pela banda Voa Dois e o percurso foi bem interessante. Tenho a certeza, por exemplo, que os cordeiros se divertiram bem mais que nós, e as cordeiras, que se agarravam, bebiam e dançavam até o chão agarradas com seus companheiros do outro lado da corda então, nem se fala. Teve um momento que eu duvidei se estávamos no bloco certo, aquele que começou com todo mundo de amarelinho, arrumado, agora exibia uma variedade de cores de abadás incríveis, gente de vermelho, azul, sem camisa, todo mundo no meio da folia, dentro da corda, participando do bloco como todos nós que tínhamos comprado o abadá.
Antes da metade do circuito já tinha presenciado umas cinco cenas de violência, na maioria delas, seguranças e policiais concorriam vagas para bater em meninos e homens, todos, vale lembrar, eram negros. Batiam no meio do povo, dentro ou fora do bloco, sabe lá Deus porque motivo. Vi também muitas crianças catadoras de latinhas de alumínio, transitar descalças, mal vestidas e com um sorriso incompreensível no rosto. Confesso que não compreendi aquela felicidade.
Ir ao banheiro, então, nem gosto de recordar. Era uma tormenta, o tumulto, as filas quilométricas e a insegurança resumem na palavra precariedade.
Vi muita coisa neste Carnaval de Salvador. Para mim, foi um momento incrível, emocionante, mas acima de tudo, foi uma experiência triste. Infelizmente, poucas foram as felicidades que consegui enxergar sobre toda a tristeza e a miséria que reinava. Agora aos meus olhos o Carnaval de Salvador é a festa que maximiza as diferenças sociais, é o retrato mais perfeito e completo da desigualdade, da pobreza e da segregação em que vivemos. Pior, é o retrato da nossa ignorância.
É o desenho realista de um povo que aceita cantar e festejar as crianças descalças que caminham por entre a multidão em busca de latinhas para vender; É a celebração da infância perdida.
Também é o desenho de um povo que comemora a humilhação, a violência e o preconceito daqueles "pobres pretos" que apanham o circuito inteiro, sem explicações; É a celebração da discriminação;
É a festa símbolo da hipocrisia, de uma felicidade instântanea, mas válida, que inspira a todos a dançar o "Rebolation" e esquecer as dívidas imensas, o trabalho, o cansaço, a vida de assalariado.
Falar do transporte, não desta vez. Para não me tomarem como negativista demais. Da alimentação, também não. Dos empurrões, melhor não. Da falta de educação, da bebedeira, dos assaltos, não desta vez.
O fato é que saí do circuito às avessas. Atordoada, estressada, irritada, cansada, mas no fundo um pouco feliz também. Afinal, eu precisava viver aquilo tudo, precisava sentir, participar de uma das festas mais importantes e desejadas do Brasil e do mundo, precisava estar lá, no meio da muvuca*, para descobrir que eu vivo muito melhor sem contar com ela no meu calendário, para descobrir o quanto eu sou feliz com o meu carnaval de interior, com minhas caretas, com a praça, com a segurança, com os meus blocos e xarangas, com a minha folia, pequena, mas do tamanho certo para fazer a minha felicidade.
É. Na verdade, deve ser isso. O carnaval de Salvador é muito grande e a sua grandeza não cabe em mim, mas, talvez a outros, talvez a você que esteja lendo este texto. De qualquer forma, valeu, foi bom. Mas agora ADEUS. Participar de novo? "Nem a pau, Juvenal".
Raiara Azevedo
Que caminho tomou Manuela?
"Aquele meu caminho é tudo que num passo, aquilo que procuro um dia hei de encontrar", as suas palavras continuam, ainda hoje, após se passarem dois anos desde que a conheci, ressoando na minha cabeça. O som é doce, e transita entre o tranquilo e o exuberante, e as letras além de discutir múltiplas questões psicológicas e emocionais, como a identidade do ser humano e a busca da felicidade, trazem uma paz e um sossego que são inesquecíveis. Foi mais ou menos há dois anos que conheci o som de Manuela Rodrigues através de minha amiga Tininha, que na época era aluna dela. A partir daí nunca mais parei de procurar seus trabalhos, suas músicas e letras.
Manuela Rodrigues é cantora, compositora e atriz. É brasileira e baiana. Ainda na adolescência descobriu que possuía o dom para a escrever música, com a composição da canção Velha História, quando tinha 15 anos de idade. Dali por diante, ela nunca mais parou. Sua carreira contou com momentos altos, como a premiação do Prêmio Braskem de Cultura e Arte, por seu projeto musical Rotas. A cantora ganhou muita notoriedade devido as suas participações realizadas com grandes nomes da música brasileira como Tuzé de Abreu, Fafá de Belém e Joatan Nascimento, através do grupo Octeto Vocal Sai do Canto, dirigido por Sérgio Souto. Entretanto, foi a apresentação do show Rotas, baseado no CD homônimo, (ambos lançados em 2003) que a consagrou, dando a ela, o reconhecimento do público baiano enquanto uma das artistas que melhor representam a Bahia na atualidade, e , por conseguinte, a cidade de Salvador.
O trabalho autoral de MPB intitulado Rotas está disponibilizado gratuitamente no site Trama Virtual (no endereço http://tramavirtual.uol.com.br/manuela_rodrigues) e pode ser baixado por qualquer usuário do site. Graças a Deus, eu tive acesso ao Cd através de minha amiga, como já disse ex-aluna. Tirei cópia do Cd que Manuela tinha dado a ela, e logo de imediato me apaixonei. As letras, a melodia, o som, os arranjos, tudo pareceu ter sido feito de uma forma tão detalhada, tão miúda e tão grandiosa que não parava de escutar. O Cd Rotas é um trabalho de Mpb extremamente interessante. As músicas propõem uma liberdade imensa, uma liberdade que não é dada ao ser humano assim tão facilmente, mas conseguida após muito suor e luta. Propõem a liberdade do pensar. Do refletir e do filosofar sobre as coisas e sobre a vida. Músicas que nos dão a ousadia para questionar coisas como a vida e a morte, assim como o filosófo José Saja faz, ao questionar o que fazemos com nossas vidas, com uma simples pergunta: "Há mesmo vida antes da morte?".
As letras cantadas por Manuela em Rotas são assim, profundas, e concomitantemente, divertidas. Os arranjos são de uma beleza incrível, uma beleza que me fez dançar, chorar e muitas vezes parar no tempo para contar as batidas, acompanhar em palmas e exercitar o ouvido em busca do reconhecimento de cada instrumento. Letras como "Enquanto eu me encontro" e "Tô", são românticas mas não melosas, doces e de uma profundidade inenarrável; para mim, verdadeiras obras-primas da música popular brasileira. Lembro bem de cada música. Velha História e Comunique, eu até tive a ousadia de usar num trabalho de teatro de grupo com adolescentes, e tenho certeza que ela não iria me processar por isso, porque nem bilheteria teve.
Manuela é um retrato do bom gosto musical, é a prova de que temos (no Brasil), grandes artistas experientes e engajados no "fazer bem-feito", aliás, fazer música de forma bem mais que perfeita, na minha opinião. Manuela Rodrigues, assim como também Mariene de Castro, e a propagandística, mas maravilhosa, Ivete Sangalo, são as "cerejas" do bolo baiano, e digo, as últimas. Devemos valorizar Manuela, exaltar Mariene, reverenciar Ivete, colocá-las no ponto mais alto e declará-las nossas representantes, porque apesar da onda de mediocridade que assolou no país, e principalmente na nossa Bahia, essas mulheres resistem. É claro, que não vou ser hipócrita de negar que Ivete tem apelado bastante para a baixaria, e que isso acabou pegando um pouco mal para nós, mas também não há como dizer que a mulher não canta, não tem uma voz divina, um talento primoroso, tem?
Pois bem, o fato é que não tenho visto mais falarem de Manuela, não sei onde anda, qual rota ela tomou. E depois de tanto tempo sem ouvi-la, bateu saudade. Na verdade, uma urgência de sua voz. Procurei no google, no you tube, nos sites de músicas, e descobri poucas coisas atuais sobre a artista. Fiquei sabendo, que está prestes para acontecer o lançamento de seu segundo Cd, onde ela apresentará as canções de seu show Quanto Vale Gente. Mas como não descobri a data do lançamento, pode ser que eu já esteja atrasada. Consegui saber também, que neste novo Cd, ela traz um repertório que mistura canções autorais com canções de compositores famosos, a exemplo do paulista Romulo Flores e do baiano Leandro Morais.
Até onde eu havia acompanhado, Manuela tinha feito de tudo um pouco no campo artístico. Estudou piano, canto lírico, flauta, música clássica, estudou música no exterior, se graduou em canto lírico pela UFBA e experimentou, estudou novos ritmos, inventou, fez teatro, foi professora de canto, sambou e tudo mais. Na música popular brasileira se fortaleceu, e com ela representou festivais e concursos por todo país, representando a Cultura Brasileira. O fato é que, embora tenha achado algumas informações, ainda considero muito pouco. Quero saber como anda a carreira de Manuela, quero saber mais sobre seus trabalhos e sobre a sua música. Aliás, eu só não, todo mundo.
Todo mundo deve ter o direito de conhecer seu trabalho, suas músicas e seu talento. Por isso eu protesto pela falta de divulgação de seu trabalho nos jornais, nas revistas, nas ruas e nos mercados. Eu não enxergo o caminho que Manuela tomou por agora, não a vejo, como vejo (todos os dias) Ivete e isso me preocupa. Embora, ambas sejam grandes artistas e grandes representatividades da Bahia, a divulgação é imcomparável. As pessoas poderiam estar lendo, sabendo sobre Manuela, por exemplo, nos jornais, lado a lado de Ivete Sangalo e algumas outras. Mas ao contrário disso, em seu lugar, estão estampadas bandas eróticas sem preocupação musical nenhuma. Grupos que se intitulam musicais para ganhar dinheiro, empobrecendo assim a nossa cultura.
O que digo é que sabemos que a baixeza existe, vemos, presenciamos, nos omitimos , julgamos, criticamos e nada fazemos. E isso não modifica nada. O que devemos é tentar impedir que o espaço de artistas como ela, sejam sucumbidos pela mediocridade. Porque se há espaço na Bahia para mediocridade, também deve haver para a boa música, e se não houver espaço para a boa música, então é hora de irmos à luta. Para que não deixemos morrer carreiras de artistas como Manuela. Uma artista baiana completa, de tamanha beleza, talento, e com uma versatilidade incomensurável.
Raiara Azevedo
Corpo, débora colker e o que a Bahia pode fazer
A história da Dança brasileira foi modificada pelo Grupo Corpo e pela ousadia coreógrafica proposta por Débora Colker e sua companhia e não há argumentos que possam provar o contrário. Mas e a nossa Bahia, como é que vai?
Vejamos: Em 1975 nasce um dos principais representantes da Dança Contemporânea no Brasil, o Corpo. Nascido em Belo Horizonte, com o coreógrafo Paulo Pederneiras, o Grupo Corpo cresce e se torna a companhia mais bela e mais bem respeitada do país. O Grupo impressionou brasileiros e estrangeiros pela sua peculiaridade, caracterizado, por exemplo, por carregar a identidade do Brasil em suas danças, que retrataram desde o xaxado ao balé clássico. De lá pra cá , Belo Horizonte é só orgulho quando o assunto é dança.
Mais ou menos entre 2000 e 2002 a crítica fervia ao redor das "maluquices" de uma loura espevitada que achava que qualquer movimento era dança. Seus bailarinos escalavam paredes, pulavam freneticamente entre vasos, equilibravam-se em estruturas móveis e desafiavam o limite da gravidade. Débora Colker, uma coreógrafa carioca, hoje bastante respeitada (pela crítica também, diga-se de passagem) recebeu primeiramente o prestígio dos nossos colegas estrangeiros, para só depois ouvir elogios e aplausos no seu país.
No ano passado, foi considerada pela Revista Época como um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009, ganhando finalmente o reconhecimento nacional, que desembocou numa abordagem midiática interessante sobre a sua carreira. Creio que o Rio de Janeiro nunca esteve tão satisfeito desde a descoberta do trabalho da Débora Colker no quetange também ao termo Dança. Com tanta experiência, influência e glamour que é derramado por Colker sobre o mundo inteiro, o Rio tem mais o que comemorar.
A história da Dança brasileira foi modificada pelo Grupo Corpo e pela ousadia coreógrafica proposta por Débora Colker e sua companhia, e não há argumentos que possam provar o contrário. Veterano, o Corpo conta hoje com mais de 30 anos de história, na qual já revelou grandes nomes como Cristina Castilho e inspirou milhões de platéias com os mais variados espetáculos, todos de uma beleza inenarrável. Colker anda pelo mesmo trilho. Com menos de 10 anos de história, a Companhia Débora Colker se consagrou mundo afora e também aqui dentro no seu território, cativando milhares de pessoas com uma proposta diferente de dançar . A "diretora do movimento, Débora Colker juntamente com o Grupo Corpo são a prova de que Belo Horizonte tem mais que tesouros guardados, e de que "o Rio de Janeiro continua lindo". São motivos reais de orgulho diário, pelo talento e pela arte calcado num trabalho contínuo, duradouro.
Raiara Azevedo
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Alice in Wonderland
O negócio é que fiquei muito infeliz com o filme. Não que o filme seja ruim e não mereça prestígio. Só que eu esperava mais, muito mais. Até porque sou uma apaixonada por contos de fada. Li Alice e milhares de outras histórias durante toda a minha pré-adolescência e também juventude. Criei uma expectativa enorme para assistir essa nova versão de Tim, e ainda mais sabendo que ganharia uma nova roupagem, que Jhonny Depp seria o Chapeleiro e tudo mais...
Achei o roteiro confuso e não gostei da história de misturar os livros Alice no País das Maravilhas e Alice através do espelho de Lewis Carrol. Tim permite que a mágica fantasia presente nos livros se perca bastante. Vários aspectos me decepcioram de verdade, mas confesso que não me arrependo de ter ido assistir. Me arrependeria, por certo, se não fosse. Um dos pontos fracos do filme foi a cena final, onde Alice batalha a favor da Rainha Branca, contra um monstro enorme numa espécie de tabuleiro de xadrez gigante. A cena pretende ser emocionante, porque durante o filme inteiro, os personagens anunciam o dia do Glorian Day, deixando uma expectativa enorme, mas na hora não é nada de mais. Rapidamente e sem graçamente Alice mata o dragão e pronto. Entrega a coroa de volta à sua dona, a Rainha Branca, que condena a Rainha Vermelha e o seu "fiel" escudeiro, o Valete.
Mas não é só coisa ruim não, o longa também oferece momentos realmente interessantes e mostra interpretações maravilhosas. A atuação de Jhonny Depp como chapeleiro maluco, por exemplo, é espetacular. O Chapeleiro de Jhonny Depp ganha mais espaço do que manda a história original que o restringe à "hora do chá", e diverte, impressiona, encanta. O chapeleiro fala de um jeito diferente, como se tivesse um problema na fala e o seu figurino colorido é bem elaborado, lindíssimo. A atuação como chapeleiro só comprova o talento e a versatilidade do grande ator que Jhonny Depp é. Em nada, o personagem lebra o famoso Jack Sparrow. Andar, voz, semblante, corpo, a construção do personagem é perfeita.
Uma outra atuação digna de reverência é a da Helela Bonham Carter que interpreta a Rainha Vermelha, dona de um cabeção e um reino temido. A Rainha vermelha é uma pequena mulher infeliz, que controla todo o reino com suas crises de histeria e arrogância. Já a Rainha Branca com o seu jeito Zen é a boazinha, mas tira do sério pela paciência extremada e a sua cara de nada. Como Alice, Mia Wasikowska mostra bastante talento. E ela representa muito bem a personagem da minha imaginação. De aparência frágil e delicada, mas com uma força e uma coragem enorme, Alice consegue resolver tudo o que pretende e ainda ajudar os seres do País das Maravilhas, que ao longo da história se tornam amigos.
Os gêmeos, a lagarta azul, o gato, o cahorro, as criaturas são todas encantaveis. O figurino dos personagens também são pontos positivos, que retratam bem o mundo maravilhoso das histórias que li. Quanto a cenografia, toda colorida, foi o que mais me impressionou, cada cena, cada lugar de uma beleza inenarrável, perfeita nos detalhes.
O filme não é o "melhor dos melhores", mas é lindo e rico em diversos quesitos, por isso vale a pena ver.
Elenco: Mia Wasikowska, Johnny Depp, Helela Bonham Carter, Anne Hathaway, Stephen Fry, Alan Rickman, Matt Lucas e Crispin Glover. (Alice in Wonderland, 2010)
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Espelho

É preciso arrumar a casa
as coisas e as idéias...
É preciso lavar as roupas sujas
Curar as feridas
Varrer as vaidades
É preciso caminhar descalço lentamente,
sem pressa alguma [e sem medo]
É preciso meditar
respirar fundo
Não decidir, relaxar...
Rir...
É preciso sentir saudade. :/
É preciso fechar as portas
e também as janelas
para olhar o espelho
uma, duas, três...infinitas vezes...
Vamos PRETA...mas, vamos sem pressa...
domingo, 18 de abril de 2010
Metade de Você
Eu não quero você pela metade
Eu só quero inteiro
Suas horas, suas manias, seu cheiro
A metade de você eu não quero
Antes não ter nada
A pedaços.
Meu coração está faminto
E não pára.
A metade de você eu não quero
Não quero porque eu sou inteira
Meus dias, tardes, minhas noites
Sem reservas
Tudo se acaba num instante
Mas você ainda não vê
Não consegue ver
Não compreende
Eu não quero metade
Eu quero inteiro, suas horas, seu riso
Seu corpo, seu cheiro
Eu não quero essa metade
que você quer me oferecer agora
Eu estou cansada
E exijo o que me prometeu
Quero o homem que era
Aquele gentleman do início
Aquele que me apaixonei
Mas do que querer
É necessidade
Eu preciso do meu gentleman
De você como antigamente
E não é pecado te querer assim
Porque só serve se for você
Um amor tão delicado
Um amor seu para mim
Não seja tão ruim, nem insensato
Eu quero você inteiro
Então, por favor, se ofereça assim
agora.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
A Salvação em Jesus

Hoje, nós católicos, consideramos um dia santo, dia de muita reflexão e silêncio. Na sexta-feira santa Jesus deu a sua vida por nós. E foi somente por amor.
Mas, o que muitas pessoas não sabem e não compreendem é porque Jesus faria isso se ele era humano. Muitos duvidam de que como humano Jesus tenha tido coragem e vontade para se entregar a dolorosa crucificação na cruz.Fica mais fácil compreender toda a complexidade da santa crucificação de Jesus Cristo, se partirmos da análise de algumas questões.
1) Jesus é Santo
Jesus Cristo se fez humano como nós, mas na sua essência ele é santo. Jesus como humano não deixa de ser santo como Deus Pai. Jesus é o próprio Deus da Santíssima Trindade, ele é o Deus filho,mesmo na terra não podia abdicar da sua santidade. Cristo Jesus e Deus compartilham da mesma santidade.
2) Jesus sabia da sua missão
Jesus Cristo, filho de Deus, desce à terra com uma missão maior, a missão de nos salvar do pecado que havia arruinado o mundo e estragado os planos de Deus para nós. O pecado corrompeu os homens comuns e até a igreja, naquela época, e Deus enviou Jesus para a Terra com o propósito de destruir o pecado e afastar o demônio da terra. Jesus tinha total compreensão da sua missão na terra, por isso, resistiu a todas as humilhações, dores, perseguiçoes e dificuldades humanas. Ele escolheu nos salvar.
3) O Amor de Deus
Uma outra questão que está em jogo é o amor de Deus por nós. Você já parou para pensar como é imenso este amor?
Jesus era santo, puro, não era pecador. Nós e o mundo estávamos invadidos pela sujeira do pecado, mas por amor ele não nos renegou. Ao contrário, ele amou até os que foram mais perversos, aqueles que para nós, humanos, não mereciam o perdão. Um exemplo é o próprio Judas, que Jesus amou e perdoou antes e depois da traição.
A Palavra (Bíblia Sagrada) diz que "Jesus não ama o pecado, mas sim o pecador". Refletindo sobre isso podemos concluir que Jesus separa o homem de suas impurezas, ele não ama o nosso pecado, mas consegue nos enxergar sobre todas as impurezas, consegue nos amar sobre todas as perversidades e todo o pecado que cometemos. Ele despreza estes feitos, mas não nos despreza.
Isso porque Jesus nos ama como Deus e o amor de Deus é tão grande que não há como mensurar.
4) A Salvação em Jesus
Por amor Cristo aceitou sua missão e salvou o mundo do pecado. Jesus não tinha pecado, pois era santo, mas ele morreu pelo pecado do homem, então, ele morreu por nós.
Após a morte de Jesus na sexta, toda a terra viveu momentos tristes, de dor e angústia, momentos de reflexão que resultaram em milhares de conversões posteriores. Os filhos começaram a retornar os braços de Deus Pai quando compreenderam o tamanho do seu amor. Cristo nos deu a salvação nesta sexta-feira santa, nos livrou do pecado por amor e obediência, deixando assim o mundo maravilhado com a sua bondade infinita.Por tudo isso rendemos glórias a Deus no dia de hoje e sempre. Rendemos glórias e glórias pela vitória sobre o pecado e sobre o demônio.
Por tudo isso é que hoje é um dia para buscar a paz, e no silêncio de Jesus revivermos a sua história e nos fazermos melhores.
Rezemos agora: Obrigada meu bom Jesus por ter me dado a salvação em teu amor.
Espero agora a tua ressureição.
sexta-feira, 26 de março de 2010
Entrou uma doida no buzu
Bom, aí depois de encontrar um bom lugar no fundo do ônibus fiquei a pensar sobre os engarrafamentos de todos os dias, o que inclusive será assunto para outro post, quando me surpreendo com um grito de uma mulher.
Ela tentou passar sem dinheiro pela catraca, estava suja, maltrapilha, e falava um monte de coisa sem sentido para o cobrador (atônito), coisas do tipo: " vá pra porra seu viado, porque você não quis parar pra mim". Aí o cobrador cismado, não deixou ela passar. A doida ficou barrada e foi aí que começou o "puteiro". Do nada, a mulher ficou mais violenta e nervosa do que já estava, começou a vociferar e escandalizar geral.
A esta altura todos os passageiros começaram a se movimentar, a emitir opinião sobre o fato. O motorista, que mantinha o ônibus parado todo esste tempo, suplicava aos berros para que a doida descesse, pedia por favor, ameaçava e nada. A doida não saia do ônibus.
O buzu virou um pandemônio e eu já havia me envolvido com o caso. A doida não se calava, gritava o motorrista, tentou pular a catraca, as mulheres no ônibus reclamavam e gritavam com medo para o cobrador fazer alguma coisa, para não deixar ela passar. A galera do fundo começou a gritar para a doida descer e a doida firme na sua intenção dizia que não saia dali e pronto.
Atrás dela, uma menina esperava sua vez para passar a catraca. Parecia que ia para o trabalho... ela permanecia com uma expressão mista de medo e desejo de chegar ao outro lado da catraca, mas a doida estava lá no meio impedindo a passagem. Bastou o cobrador mandar a menina passar e pedir liçença a doida que a doida ficou "doida". A menina tentou passar por ela, educadamente, e a doida ficou mais p. do que já estava. Resultado: não deixou a pobre da menina passar por ela.
Ao contrário, a doida se voltou pra menina (que esperava aflita para passar à catraca, mas não podia) e começou a xingá-la. -Você? É por causa de você que eu tenho que sair? Você vai passar e eu não posso? Você não vai não, você é uma vagabunda, sua vagabunda, sua vagabunda. E a doida desceu três tapas no braço e nas costas da menina, que sem graça e acredito que com medo desceu do ônibus as pressas.
Foi um rebuliço no ônibus, todo mundo reclamando, gritando, o motorista ameaçando, o cobrador esbravejando e nada. A doida queria passar a catraca e não desistia.
Depois de muita agonia, contrariando a maioria dos passageiros, a doida foi autorizada a passar pela catraca sob ameaça e tendo que prometer ficar quietinha e não mexer com ninguém. Pois bem, ela passou.
Andou o corredor inteiro sem olhar para ninguém e não esperou mais nada, um ponto depois desceu. tipo 10 metros depois, depois de tanto estardalhaço. Pense aí? Tanta agonia, tanto desespero pra nada. ABSOLUTAMENTE NADA! Vê se eu posso com isso? Vê se pode?
É por essas e por outras que eu volto a dizer que andar de buzu é mesmo necessidade porque até violentados por uma doida nós podemos ser.
É uma porra.
E outra, tava pensando, se fosse comigo, eu descontava o tapa sem pena.
Pra um doido, outro.






